Lonears é um grupo de miúdos - creio que não levarão a mal chamá-los assim - ali para os lados de Caselas mas que têm como limite, o mundo! O som é claramente anglo-saxónico com influências da nova vaga de músicos que importamos diariamente dos Estados Unidos da América; Linkin Park, Incubus ou mais recentemente os Paramore. E embora os projectos acima referidos sejam adoptados pela MTV - autêntica "junk-food" visual - o colectivo lisboeta assenta arraiais no facto de não andar no mundo da música pela fama ou pela fortuna.
O EP de estreia "Un-X-Pressed" revela quatro faixas cheias de "poder rock" e uma miúda no comando das operações, a Teresa. Ninguém diria que a voz do disco que se impõe às guitarras do Rui e do Lula é a mesma que fala comigo - tranquilamente numa conversa de café - até custa a crer que tenha começado a carreira a ensaboar-se e a fazer da embalagem do shapoo o microfone! Em boa hora foi recrutada pelo namorado e se fez a vocalista do colectivo (fazem questão de fazer sobressaír esta ideia de partilha de obrigações e responsabilidades). Lonears -Love, Fear and Pain - são as premissas que estão na génese da banda.
Preparam-se para começar a rodar o primeiro teledisco de "Out of my life" uma grande malha, orelhuda como convém para o "powerplay" radiofónico e televisivo.
Bar é um nome que facilmente entra no ouvido, foi pelo menos esta a explicação da Sara a vocalista da banda de Lisboa, para uma escolha que tão facilmente dá origem a equívocos. Longe de serem um grupo de miudos iludidos pela fama e pelo aparato dos videoclips da MTV, são constituidos por 5 cabeças pensantes, o que explica por vezes a luta de egos. É saudável e se assim não fosse, por certo, não teriam tanto orgulho no projecto que acarinham há mais de 4 anos.
Clemente, cujo look faria adivinhar estar numa banda Indie, revela um entusiasmo quase de criança afirmando que um tão simples acorde é executado com paixão. A Sara confessa-nos que até há pouco tempo pensava que não cantava coisa nenhuma, o que nos deixa mais aliviados pois quer dizer que ganhou juizo, basta ouvir-la para perceber que não tendo um portento de voz é eficiente no propósito de "rockenrolar".
E não se pense que as letras por serem escritas por uma mulher são piegas ou algo que o valha. Nada disso: é Rock, é transpirado, é curto e conciso. Neste momento procuram uma editora que lhes possa indicar o caminho para uma carreira onde se materialize o grande objectivo, tocar ao vivo. Num tasco ou num festival quem sabe...BAR.
A crer pelas palavras dos Skewer, banda da margem sul do Tejo, que recupera este movimento com muita verdade e o tão peculiar estilo despojado. Ainda não houve a oportunidade de viajarem até à chuvosa cidade norte-americana, mas segundo confidencaram, Seattle é mais do que estar lá, é um estado de espírito...e espirito é o que não falta a estes três elementos que mantém as cabeças bem arrumadas.
Porta estandarte do movimento grunge, Kurt Cobain, é referenciado apenas como um elemento criativo e cuja genialidade ficará para a história com o mítico "NeverMind" mas Valério, Rui e Igor estão bem longe de lhe seguir os passos, passos que encaminharam o eterno vocalista dos Nirvana para um final pouco feliz.
Os Skewer continuam a apresentar o EP "Whatever", onde destacam alguns concertos memoráveis onde o público sedento cantava as letras de uma ponta a outra. Revelam a surpresa, mas são assim os resultados de quem se expõe nas malhas da Internet. Este primeiro registo está à venda em versão digital em várias lojas de renome, da qual se destaca a FNAC.
Agora os esforços estão concentrados num só sentido, a gravação do primeiro longa duração e o apoio de uma editora para o lançamento. Estes jovens que curiosamente respiram grunge em pleno 2009, fazem lembrar - alheios à estética vigente - os "heavies" nos anos 90. Não deixa de ser intrigante que quando bandas como SoundGarden ou Pearl Jam estavam no auge Igor e Rui davam os primeiros passos na escola, o que leva a crer que o grunge continua a conquistar fans. E os Skewer também vão amealhando seguidores, porque "grão a grão enche a galinha o papo" e o colectivo do Barreiro não tem pressa de conseguir o tão marecido reconhecimento. E sim, ao contrário de Kurt Cobain, terão direito ao seu final feliz!
A Crew Hassan recebe a noite das cantautoras no próximo dia 13 de Novembro. É a propósito disso que conversámos com a Teresa Gabriel, viajante do mundo, cujos sonhos não a deixam parar.
Dona Maria - Vinho do Porto
Rosa negra - Vou Dar de Beber à Dor
Teresa Salgueiro - A Banda
J.P. Simões - Só Mais um Samba
Maria João e Mário Laginha - BlackBird
Hipnotica
Joana Rios - Estelar
New Connection - Lollipop
Mler If Dada - Passerele
BadLovers and Isterika Iberika
Rita RedShoes - Once I Found You
Paulo Praça e Ana Deus - A Princesa Que Não Queria Ser Salva
Sam, The Kid - Playback
Mesa - Senhor Extra-Terrestre
CindyKat - Fix My Phaser
CTC - Shine On
Post it - Glamorama
Loto - Back to Discos
Megafone - Aboio
MAW - 2Night
Million Dollar Lips - Round
The Gift - Nowadays (Mix)
Ultimate Architects - Easy Scars(Remix)
Anne Love Joy - Lisbon Lights
Coldfinfer - Dragon Fly
Norton - Frames of Yourself
Lollipop Boy - Dive
MicroAudioWaves - Curl Like a Cannonboal
Hipnotica - Soulrise
Eugénia Melo e Castro - Terra de Mel
Casino Royal - Now That I am Blond
Chauffeur Navarrus - A12
T3+Uns - 6 Dias
The Zoeys - TRippin The Fire
Rose Blanket - Rosinha
Projecto Fuga - Brisa (Infinito)
Tambor - A Tua Falta
Ovo + Melo D - Dá-me Carinho
Viviane - Estes Dias Sem Ti
Rodrigo Leão - Café dos Emigrantes
Mesa - Estrela Cadente
Mike Bamble - Radio
Fingertips - Move Faster
Eye - Dream Again
Genius Loki - Heart Attack
Spelling Nadja
JigSaw - Letters from the Boatman
Guys From The Caravan - Adam
Corsage - Wedding By The Mall
Sean Rilley - Moving On
Aurea - Okay Alright
Skalibans - Sunshine
Los Tomatos - Ganda FlasMan
Funky Messengers - Cheira a Funky
Kumpania Algazarra - Just One Step
Primitive Reason - Camino
Zedisaneonlight - Give You My Love
Afonsinhos do Condado - Leva-me Contigo
Daweasel - Toque Toque
CTC - Chiclete
Woman in Panic
Paranormal Attack - My Beats Gonna Rock You
U-Clic - ICI in Disneyland
Million Dollar Lips - Round
Foi o concerto que mais esperei em Corroios - Slimmy - e o seu muito bem recebido "BeatSound Loverboy". A imagem faz parte da embalagem que Slimmy criou em seu redor mas é de música rock/electrónica que se vê quem é o Paulo, o verdadeiro nome do "magrela" (que adora a maneira como as inglesas dizem Paulo, com uma toada latina "PAOLO").
Um colega (que nem sob tortura direi o nome) afirmou adorar o som do Slimmy mas confidenciou-me que a imagem efemininada o incomoda profundamente. A mim em particular, que adoro a androginia (não fosse "Je T'Aime Moi Non Plus" um dos meus filmes favoritos), acho extremamente aliciante o jogo sexual do cantor em palco. Usa Tops, tomara eu ter corpo para vestir, não tem medo do cor-de-rosa, nem das calças justos e de cintura descaída. Os restantes elementos da "Crew Slimmy" entram no espírito e quem julga que não passam de um grupo de "panilas" a fazer música alternativa, desengane-se.
"Beat Sound Loverboy" é um CD urbano onde Paulo experiencia em forma de canção muitas das mulheres que passaram pela sua vida. Honestamente um dos melhores discos de 2007 na música portuguesa. E em Corroios, os fotógrafos deleitaram as suas lentes captando as belíssimas poses a que o vocalista não se coibiu. Até deu direito a que os site sons da garagem tirassem a que para mim é uma das melhores "flashadas" do espéctáculo. A fazer lembrar a capa do LP dos Rolling Stones "Sticky Fingers" com fotografia do criador da Pop Art Andy Warhol.
Plastica são amigos da casa, Corroios, de onde são emitidas estas emissões da OPA. Os almadenses atravessaram ventos e tempestades, e com mais ou menos mediatismo, continuam a percorrer o caminho rumo ao rock cada vez mais alternativo e experimental.
Não podemos esquecer o primeiro trabalho "Pop Songs and Rock People" foi uma verdadeiro Boom em Portugal com os singles "Baby Gasoline" e "Sleep all Night". Entretanto com Miguel Fonseca a assumir o controlo vocal da banda, o rumo mudou ganhando outros contornos. Do brit-pop a lembrar objectivamente os Suede (e eles não o negam), a ritmos psicadélicos que recuperam os últimos trabalhos dos Beatles - quando Yoko Ono já andava por perto, Lennon só produzia sob o efeito de ácidos e Harrison perdido pelo Hinduísmo apenas queria meditar.
E isto agora pode não ter nada a ver, mas li há uns dias na revista Blitz uma entrevista do Jon Bon Jovi - considerado por muitos a anedota do Rock - concluia que os maiores são genericamente os mais simpáticos e acessiveis. Mr. Giovi falava da sua experiência com os Rolling Stones quando apenas era um puto que servia cafés. Pela minha experiência, e que já é considerável, tenho constatado que as maiores estrelas da música nacional com quem tenho privado, são sem sem sombra de dúvidas as mais humanas. Outros que têm passado pela OPA, jamais irão a lado algum - e aqui tenho de seguir o conselho do meu querido De Sousa e saber dizer Não ao que não presta - revelam-se pedantes e de uma ignorância sem par.
Os Plastica são gente boa, já andaram por vários países a promover a sua música que não é de massas, mas ao colectivo só interessa que possam continuar a tocar com prazer. Não esqueço a gentileza do Miguel para com a OPA e a OPA continuará naturalmente a tratá-los com a mesma atenção. "Kaleidoscope" é o mais recente trabalho, intimo, direccionado para salas pequenas. Este ano foram os cabeça de cartaz da primeira noite da XIII Edição do Festival de Corroios, e aquele não é o melhor espaço para o som que actualmente praticam. Mesmo assim foram profissionais e afáveis.
Esta semana recordamos a entrevista a propósito do Festival e como é meu apanágio falou-se de tudo e mais alguma coisa. Notem a voz constipada do Fonseca, estavamos no Inverno...e pensar que ainda foi ontem que os Profilers berravam de alegria pela vitória no Festival cá da Terra. Pessoal, continuo à espera da música sobre Marguerite Duras!
Na verdade esta curta metragem nada tem a ver com a OPA, a não ser o facto de ter escolhido um grupo português como banda sonora, de resto, é apenas uma ideia levada a cabo por mim e pela Elisabet Casabón(voluntária em Corroios na área do audiovisual), antes de partir para a sua cidade Natal, Barcelona. Pode ser que esta curta nos leva às duas a qualquer lado, que ganhemos asas para voar algures onde o futuro não seja um buraco pintado a cores negras, antes, "amarELAS".
YSGA um dos cabeças de cartaz da XIII Edição do Festival de Música Moderna de Corroios. Na altura o concerto assentava no disco de estreia, registo vibrante com malhas punk “She’ll Turn Us All On” ou o single de apresentação com grande um brutal “powerplay” na rádio portuguesa “Like When I Was 17”. Malhas rápidas, directas, com coros orelhudos e rifs contagiantes. O Rock é isso mesmo!
Participaram no Festival de Corroios mas nunca chegaram, e segundo as palavras do vocalista Pedro Gabriel “A ganhar nada”, facto é que anos mais tarde são convidados para integrar o cartaz do concurso, “a ganhar” e se calhar nada mal! São as ironias do destino…
“Emocional Cocktail” é o segundo trabalho e segue a linha coerente do CD anterior, embora com faixas menos rápidas, mas sem descaracterizar a sonoridade do colectivo de Lisboa. Não deixa de ser estranho que consigam ser tão eficazes em disco e ao vivo - com uma atitude altamente profissional – sem que se note elos emocionais entre os vários elementos. Cada um viaja no seu próprio “cocktail emocional” e talvez por isso, eu enquanto apreciadora da música dos YSGA receie que este disco marque o princípio do fim.
A sintonia é o que faz uma banda e embora sejam bons executantes, quando nos camarins as relações não funcionam de feição é capaz de se caminhar a passos largos para o abismo. Vejamos o caso dos Sex Pistols (para o melhor e para o pior). Espero que na Tour deste novo trabalho tenham tempo de recuperar o fôlego que traduz a paixão que têm pela música e que ponham para trás das costas as politiquices mercantis.
A outra diz "cantarei até que voz me dôa". Espero que vocês toquem até que vos sangrem os dedos...
Uma necessidade inexplicável de recuperar esta entrevista - que já antes esteve em destaque na OPA - apoderou-se de mim. Uma conversa intemporal há mais de um ano, que pelo actual rumo dos acontecimentos faz todo o sentido retomar.
Atenção! Não há nesta missiva qualquer sentimento de pena, ela não precisa disso para nada, trata-se apenas de fazer justiça a um dos nomes revelantes da pop nacional dos anos 80, Lena D´Água.
Temos o péssimo hábito de tratar mal a nossa história, seja em que âmbito for. Há mais para além das aventuras exacerbadas dos "Lusíadas" que aprendemos na Escola. As mulheres, em especial, são bastante ignoradas quando têm um papel predominante neste pequeno país que mantem (sem saber) um machismo mascarado.
A Lena continua a cantar e melhor do que nunca, então porque as rádios insistem em passar a versão "martelada" de "sempre que o amor me quiser" dos 80s, em vez de apostarem na recente gravação jazzy que fez no Hot Club de Lisboa deste e muitos outros temas impares da nossa música, incluidos no CD "Sempre"?
A pergunta fica lançada. As respostas podem ser muitas, mas não nos apetece estar a discutir o sexo dos anjos, mastigar o que está mais do que pronto para ser deglutido.
A música que a Lena faz neste momento merece um ouvido atento e não é frutode um producto pré-feito e refeito para ouvidos preguiçosos.
Quando li que a senhora Águas vai deixar de gravar, visto que o mercado lhe parece ter virado as costas, da minha parte instintivamente sabia que tinha de fazer algo.
Este é o meu contributo. Não deixem que ela se cale para "Sempre"!
Adelaide Ferreira seria a cara da OPA há 20 anos atrás, não agora. Mesmo assim não resisti em dedicar uma emissão dedicada à diva do Hard-Rock portugês.
Gosto acima de tudo do historial desta mulher de armas, com uma extensão vocal assustadora e que assume as suas grandezas, sem esquecer o reverso, o seu lado explosivo, carente e uma personalidade cheia de fraquezas e franquezas.
De patinho feio a animal de palco, foi um passo de gigante, num país que prefere recordá-la pelas baladas para constituir família. Amantes e Mortais é "um ganda disco" e nem sequer viu a luz do dia em versão digital. Em conversa com a Adelaide chegámos à conclusão de que esse trabalho deveria constar como um registo essencial do Hard-Rock nacional. Que tal uma edição limitada nem que seja de apenas mil exemplares?
Ela defende as escolhas que fez mas diz-se mais tranquila, agora que está a meio gás. As filhas são a prioridade e por elas toma decisões artisticas muito questionáveis pelos que não cedem nem um milímetro na sua arte. Se o povo quer baladas, ela dá baladas e sabe que a sua voz é o instrumento que mete a comida na mesa e perserva-a.
Tivemos uma conversa divertida, intimista e houve até lágrimas. Uma entrevista sem cortes, incluindo os preparativos técnicos, até aos momentos que supostamente deveriam ser para cortar.
Na OPA não há lápis azul. Duas horas de emissão com o selo de verdade da OPA.
A crítica e o público não lhe poupam elogios. “Para além da saudade” editado em 2007 fê-la viajar por todo o mundo – constando na lista dos melhores CDs da música portuguesa lançados o ano passado – levou ainda para casa, em Maio passado, o galardão de melhor interprete na III Gala Amália Rodrigues.
A jovem fadista de 28 anos continua humilde com um sentido de orientação muito bem traçada. Mentor desde o primeiro momento, Jorge Fernando (com mais de 30 anos de carreira) – considerado o menino de Ouro de Amália – mantém-se firme ao lado de Ana Moura conferindo-lhe um registo único e inimitável. Fado rejuvenescido em letras contemporâneas e um frescor contagiante na linha melodia das suas canções.
Após tantos palcos pisados, a cantora não dispensa o contacto com os fadistas históricos, que ainda cantam nas casas de Fado dos bairros típicos da capital. Embora tenha começado por cantar no Sr. Vinho de Maria da Fé (outra das mentoras), actualmente dá um pulinho até à Casa de Linhares, junto à Casa dos Bicos, porque foi assim que tudo se começou a desenhar na sua carreira. Usando as suas palavras, precisa de sentir “a quentura do público”. Gosta de descobrir a tradição na voz e nas palavras que ajudaram a transformar o Fado na canção de Portugal, levando assim a nova geração a querer redescobrir as raízes nacionais.
ALF dão primazia à palavra. Orgulham-se da língua e têm prazer na sua articulação. ALF não são de outro mundo,antes terrenos e poetas. Será possivel juntar os dois conceitos? ALF olha o mercado musical português nos olhos e junta-se a outros projectos na criação do MAR, por outro lado, deixam que as palavras construam um puzzle que só a banda compreende. Em poucas linhas este é o planeta ALF...
Woman In Panic é o projecto assegurado pelo Pedro Gabriel Lourenço mais conhecido por ser a voz e guitarra dos You Should Go Ahead. Neste projecto com pelo menos 10 anos o Pedro teve tempo para se formar, para aprender musica enquanto autodidata e para maturar a criatividade. Ele vive para a música mas é a arquitectura que lhe paga as contas no fim do mês.
O CD Woman In Panic "Party Killer?" começou por ser distribuido pela Dance Club mas é bem possivel que em breve esteja nas lojas do costume. É um disco que vale a pena de uma ponta à outra. Temas mais ou menos orelhudos mas todos com um enorme sentido de ritmo - muitas vezes caótico, algo catrastrófico - onde os sons parecem atropelar-se uns aos outros. Pedro em Woman In Panic faz lembrar um puto traquina fascinado pelos sons contagiantes de um qualquer jogo.
Desculpa DeadBoy mas o meu leitor de CD perdeu-se de amores por esta "mulher à beira de um ataque de nervos".
Tudo indicava que era mais um projecto defunto português. O vocalista Vasco Boucinha continuava a dedicar-se à música mas sem o mediatismo que os Wonderland alcançaram com "Say Nothing", o segundo disco da banda, até então seixalense.
Após um terceiro disco menos inspirado "Glad Again" e com o colectivo reduzido a dois, caminhavam a passos largos para o abismo, mesmo que o single "Black White" tenha sido incluidio na banda sonora do filme "Manô" com Adelaide de Souza e Diogo Infante.
Na margem sul começava a surgir o burburinho de que o Vasco andava a tratar de fazer uma massagem cardíaca aos Wonderland, a ver se o coração voltava a bater e a química entre os novos elementos do grupo conseguiam algo mais do que uma estretégia de primeiros socorros.
O que conseguiram foi uma verdadeira "Sensation" o novo disco que já toca nas rádios e revela um projecto revitalizado e com paixão por melodias rock.
A promoção está a ser feita lentamente e em breve o CD será colocado à venda. Resta-nos a esperança de encontrar a banda algures num palco qualquer a tocar como se o mundo fosse acabar amanhã!
Vencedores do Passatempo:
-Elisabeth Casabón (Vale de Milhaços)
-António Alves (Quinta do Conde)
-Tiago Maia (Rio Tinto)
A OPA resolveu sair do estúdio e tornou-se num programa de rádio itinerante. Depois de entrevistar os novatos Boundary no café da Fnac do Almada Fórum, desta vez foi DeadBoy no auditório do Pavilhão do Alto do Moinho.
O projecto DeadBoy surgiu com o Tiago a solo, um disco de estreia “Spiritz” gravado “às três pancadas” mas apadrinhado pela WhiteZone que não tem poupado esforços para promovê-lo. Na música há pelo menos 16 anos DeadBoy transmite a experiência de um músico que sabe o que quer e dispensa o rótulos.
Após reunir um grupo de músicos para levar ao palco o conceito DeadBoy, a química entre o colectivo surgiu e actualmente o que era apenas “one man show” renasce como banda e a expectativa de um novo disco onde cada um terá algo a acrescentar.
É lamentável que não tenham assistido ao primeiro concerto dos DeadBoy para um público
Tucanês é a língua inventada pelas Tucanas, banda portuguesa constituída apenas por mulheres que dão as cartas na percursão e não só. Ao vivo são um deleite para a vista, fazem de cada espectáculo um evento artístico de ritmo, cor, cheiro e dança. Movem-se com agilidade de uns instrumentos para os outros e deixam-nos de boca aberta pela quantidade de batuques – na maioria de origem africana – que manejam sem esforço aparente, incrível coordenação e um sorriso enorme no rosto.
É um projecto que existe há alguns anos mas só agora viu materializada a gravação de um CD – Maria Café – mais do que merecida. É um projecto a não perder de vista pela originalidade mas acima de tudo pela persistência e teimosia de 5 mulheres que amam a música enquanto expressa artística em harmonia com outras formas mais ou menos tribais de passar a mensagem. Com as Tucanas a mensagem é sempre de boas vindas e um convite sincero às raízes africanas que muitos portugueses não reconhecem mas sentem como suas pelo ritmo magnético
“Canções Para Ser Humano” remetem os Dona Maria para o universo dos comuns mortais com as histórias de cada um de nós. É o segundo CD da banda que começou com chave de ouro e o single “Quase Perfeito” com a voz de Paulo de Carvalho.
Vi-os pela primeira vez pela altura da promoção do disco de estreia na Fnac do Cascais Shopping. Marisa Pinto e a voz rouca embalava-nos em melodias tradicionais pinceladas com elementos electrónicos assegurados pelo Miguel Madjer.
Os Dona Maria continuam a colaborar com artistas de renome da nossa música, destaque entre outros, para a participação de Júlio Pereira. Em Maio a estrada é o abrigo do colectivo que começará a apresentar-se ao vivo de norte a sul do país. Um disco indispensável para os verdadeiros apreciadores de música cantada em português.
Não se confunda a boa onda do Ska com falta de ambição. No geral o pessoal adepto desta corrente musical arrasta a voz, dorme tarde e a más horas e ingere umas cenas meio alucinógenas, mas faz parte do lifestyle de quem gosta do melhor da vida.
Os Skalibans são uma banda da margem sul do Tejo, que após várias experiências musicais se fixou definitivamente neste projecto que mais do que pernas para andar tem asas para voar além fronteiras. Após terem conseguido proporcionar alguns dos momentos mais altos da edição do Festival de Corroios 2007 – não estivessem eles a jogar em casa – conquistaram um segundo lugar que não desmoralizou o colectivo para o lançamento de um longa duração.
Com uma Demo bastante bem construída e quatro temas orelhudos estavam preparados para o próximo passo – Is it Voodoo? – o nome do CD que em breve estará nas lojas nacionais. Para já fiquem atentos porque vão ouvir falar muito deles.
Os Vencedores do Passatempo Skalibans:
-Afonso Mata (Parede)
-Pedro Rego (Lisboa)
-Leonor Rosa (Sobreda)
“Somewhere to go…”, o disco de estreia do Lollipop Boy. Em português, poderia traduzir-se em algo como “algures ou nenhures” pelo menos foi à conclusão que chegámos numa conversa descomprometida, onde o reservado “menino do chupa” falou de si e da arte que transpira desde que se lembra de ser gente.
A música é a sua vida e por impossibilidades inerentes ao mercado nacional, não lhe é possível fazer dela uma profissão a tempo inteiro. Mesmo assim não desiste utilizando as novas tecnologias como uma ferramenta a seu favor. Ao perguntar-lhe porquê “Lollipop Boy” o Filipe, deu-me uma explicação pouco convincente e até satisfatória. A mim parece-me que a palavra “lollipop” leva-nos ao universo colorido das músicas “às bolinhas” como se dizia nos 80’s acerca do tecnho.
Quando o vi nem acreditei, tinha diante de mim um exemplar do que eram os vanguardas, agora chamados de góticos. Uma espécie em vias de extinção e a fazer música electrónica com o coração na boca.
Ao “Ritmo da Pulsação” assim se dão a conhecer os Puzzle. Pela distância de quem ouve o single na Rádio ou na série televisiva “Morangos com Açúcar”, são apenas mais uma banda emergente deste movimento hip-hop - cujo publico alvo são miúdos que gostam de andar com o chapéu de lado e miúdas que faça sol ou chuva adoram mostrar o umbigo. Uma atitude veiculada pelo espírito MTV – Nelly e Usher – são filhos pródigos no canal de música por excelência.
Conheci o CVieira, o motor dos Puzzle, o grande responsável pelas peças se encaixarem todas na perfeição num disco que contou com a colaboração do peso pesado do funk nacional, Melo D. Ouvir falar o puto, assim o posso chamar que não será nenhuma ofensa, é um deleite para os meus sentidos, pois entrevisto diariamente bandas dos mais diferentes quadrantes musicais e com tristeza constato que alguns são vazios de conteúdo e nem a sua arte sabem defender. Super inteligente, focado, com o sentido de estar e de querer, em Portugal ou no Japão (curiosamente tem feições algo exóticas) ele vai dar muito que falar na música. Cantor, produtor ou até quem sabe professor, whatever, a música corre-lhe nas veias e isso sente-se nesta conversa “muito boa onda” ao ritmo da nossa pulsação.
The Profilers surgiram numa saída de amigos para ver a actuação dos Bunny Ranch na final do Festival de Música Moderna de Corroios'2007. Enquanto se deixavam deslumbrar pelo talento daquela noite - The Doll and the Puppets; The Skalibans; The Cynicals (os vencedores) - começaram a engendrar o próprio projecto músical. A designação de alter-egos foi ali mesmo entre o fumo, a barulheira e muito alcool à mistura - acolhidos pelo Ginásio Clube de Corroios.
Em menos de um ano têm uma Demo "Make Love Slow...Enjoy The Role". Não há dúvidas que fazer algo por amor é tão mais proveitoso se fôr apreciado devagarinho. Mas o colectivo tem uma ânsia salutar a brotar e não para de compôr e tocar ao vivo. Há talento, maturidade e dedicação...ah e como refere o Mr. Big na entrevista "os Profilers têm bom Karma".
Diz-se que as mulheres não sabem ler mapas e sendo os Profilers liderados do San, uma mulheraça, não se pense que estarão sem rumo. O destino sabem-no de cor e salteado!
Cintura é uma palavra bonita. Palavras leva-as o vento mas canções das boas, essas ficam para a posteridade. Os Clã lançaram o quinto CD de estúdio e é uma das poucas bandas portuguesas que mantém um nível de produção/sucesso coerentes. Não podemos esquecer que têm uma máquina de promoção a tratar de tudo o que à banda diz respeito, sorte a deles...não têm de se lamentar por isso.
Têm crescido, sem nunca deixarem de ser os Clã que conhecemos dos primeiros temas e sem qualquer surpresa reaparecem com um grupo de boas canções, mais orelhudas do que ouvimos um Rosa Carne, um trabalho com uma estética intimista. A notar o novo look de Manuela Azevedo, confessou-me que foi mais uma experiência do assessor de imagem. Numa de cinema "Noir" a OPA aprova e tenho ouvido por portas e travessas que o público também. O disco esse, é ouvi-lo, entre as palavras da própria Manuela com quem tive o prazer de conversar pela primeira vez e fiquei com a certeza de ser uma mulher com rumo...e não faria sentido ser de outra maneira!